O que é o tempo? Se ninguém pergunta isso, eu não me pergunto, eu o sei; mas se alguém me pergunta e eu quero explicar, eu não o sei mais.
(Agostinho de Hipona)

domingo, 21 de agosto de 2011

O Papado e o Sexo


"É como se a coroa de espinhos e o sofrimento de Cristo tivessem ficado em Jerusalém, enquanto a tiara da gloria e do poder atemporal da Igreja ficaram em Roma”. Essas palavras foram proferidas pelo filósofo e teólogo Juan Laboa Gallego, escritor da obra “História dos Papas”. E foram durante séculos e séculos que os majestosos monarcas absolutos de Roma, que um dia legaram o trono de Pedro, governaram o mundo ocidental em moldes nada cristãos e, muito menos ortodoxos. Desde o começo da expansão dos territórios papais no início da era medieval até a Santa Aliança no século XIX, o papado obteve um poderio não apenas religioso como também político e econômico. O poder corrompe, já diria o pensador britânico John Dalberg Acton. Porém, corrupção não foi a única desgraça que assolou o papado durante todos esses anos. Enquanto o baixo clero padecia amargamente pregando a palavra de Cristo nos lugares mais inóspitos da Europa, os cardeais e o papa gozavam de um dos prazeres carnais mais terríveis do homem: a luxúria. Tanto o adultério quanto a depravação faziam parte da vida dos nobres e dos senhores, porém, não poderia fazer parte da vida dos eclesiásticos, já que em 306 d.C foi instituído oficialmente, durante o Concílio de Elvira, o celibato. Entendemos com clareza lendo o cânon 33: “Determinou-se unanimemente estabelecer a proibição de que os bispos, os sacerdotes e os diáconos, isto é, todos os clérigos constituídos no ministério, se abstenham de esposas, e não gerem filhos”. Então o que levou pontífices famosos quebrarem os dogmas de tal maneira?

Para compreender nós precisamos primeiramente conhecer a história de alguns dos papas mais safados e patifes da História. Bem, poucos conhecem uma das eras mais devassas do Vaticano, conhecida também como o Domínio das Meretrizes ou Pornocracia Papal. Durante toda a metade do século IX e início do X “os papas eram dominados, explorados e manipulados para fins perversos por meretrizes cruéis que os usavam como peças de jogos de poder”, disse a historiadora Brenda Ralph Lewis. Ela também nos conta em sua obra “A História Secreta dos Papas” que o papa Sérgio III não era apenas controlado por uma delas, a prostituta Marózia, como também a tinha como sua amante. Os dois tiveram um filho que mais tarde seria o papa João XI. Sérgio III morre em 911 d.C. com “um enorme gosto pelo poder papal e pela busca de gerar novos papas”, diz Brenda. Pois bem, não demorou muito para que outro papa devasso herdasse o pontificado. O próximo seria a “desgraça na cadeira de Pedro”, ou Bento IX. Isso mesmo, essa característica que está cravada na história de Bento IX não foi dada por nenhum historiador, teólogo ou estudioso, e sim pela própria Enciclopédia Católica. Também foi registrado que um dos bispos mais renomados da Idade Média, Pedro Damião, o intitula de “demônio do inferno dissimulado de sacerdote”. Mas por que tudo isso? Bento IX é considerado um dos homens mais depravados de toda a História da Igreja. Ele só se tornou papa porque fazia parte de uma família socialmente poderosa e controladora. Com onze ou doze anos de idade ele transfigurou o sentido da Igreja. Do religioso e santo ao sexual e profano.

Séculos mais tarde, o papado havia se tornado extremamente poderoso. Os papas comandavam guerras, excomungavam senhores e nobres, controlavam impérios e destronavam reis. Nenhuma dinastia, meretriz ou político romano ousava depor, ir contra ou profanar o nome dos Santos Padres. E foi durante a renascença, que dois grandes pontífices se sobressaíram – política e sexualmente. O primeiro deles é conhecido até hoje como um dos papas mais diabólicos da História. Rodrigo Borgia ou Alexandre VI. Os Borgia eram uma família extremamente poderosa e influente que almejavam chegar ao topo da cristandade. Brenda R. Lewis nos conta que “Rodrigo não era o tipo de homem a seguir o caminho religioso para a proclamação papal. Para ele, o papado era um negócio a ser sugado e explorado para grande ganho pessoal”. Rodrigo teve oito filhos com três grandes prostitutas fogosas de Roma, suas finanças eram incontáveis, assim como seus castelos e mansões, seus banquetes e vestimentas. O historiador Francisco Guicciardini nos conta que “não obstante de seus pecados, que não chegaram a conhecer punições neste mundo, foi, até seus últimos dias, sempre muito prospero e libertino”. Foi entronizado anos depois de Alexandre, Leão X, no qual o jornalista e cientista político Eric Frattini escreve: “Leão gostava de rapazes novos, às vezes vestia-se de mulher e adorava álcool. Leão X morreu com sífilis aos 46 anos. Reinou também durante o Renascimento, Paulo III, com uma “ficha” nada limpa: quatro filhos ilegítimos, diversas amantes e familiares trabalhando em grandes cargos no Vaticano

Outros papas apareceram, a lista é interminável. Mas não escrevi esse artigo simplesmente para manchar ainda mais a História da Igreja, pelo contrário. Numa era tão moderna e midiática como a nossa, o sólio de Pedro está sendo novamente profanado por escândalos sexuais e pela pedofilia eclesiástica. Padres e arcebispos, longes dos olhares desatentos da sociedade, caem na tentação da luxúria e abusam de crianças e jovens indefesos. O próprio papa Bento XVI, que se julga conservador, encoberta casos de pedofilia desde o século XX. Em suma, vemos que a verdadeira mensagem de Cristo foi esquecida, assim como o martírio dos cristãos primitivos da antiguidade. Juan Laboa Gallego possui uma teoria: o problema não é o sexo em si, e sim a ânsia pelo poder. Em Roma, era muito mais fácil cair em tentação, porque os papas eram, de certo modo, os herdeiros dos imperadores romanos. Isso ajuda a explicar o porquê de haver tantos papas indignos e maléficos”.

Luis Felipe Machado de Genaro

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(Referências Bibliográficas):
- A História Secreta dos Papas - Brenda Ralph Lewis
- História dos Papas - Juan Laboa Gallego
- Os Papas e o Sexo - Eric Frattini
- Revista "Aventuras Na História" - A Igreja e o Sexo/Agosto de 2010
- Terra Notícias: "Papa é acusado de acobertar novo caso de pedofilia": http://tinyurl.com/3q2ejqp

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Do Florestal ao Imoral

“Agora está nas mãos dos senadores”, disse Marina Silva. E a incógnita permanece cravada na nossa sociedade até os senadores brasileiros possuírem uma resposta para o novo Código Florestal. Marina Silva, diferente da maioria dos políticos da atualidade, sempre lutou para que houvesse um equilíbrio real entre o meio ambiente e a agricultura. Porém, as coisas estão começando a ficar complicadas para todos aqueles, que assim como ela, estão dispostos a estabelecer esse equilíbrio.

Foi redigido pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) o novo código florestal. Isso pode não alterar muito o nosso dia a dia, não é? Então eu lhes digo: Sim, vai alterar tudo ao nosso redor. Desde o século XVIII e XIX o meio ambiente vem sendo devastado pelo ser humano, piorando ainda mais o aquecimento global da nossa era. Isso é um fato! Tudo isso gira em torno do capitalismo selvagem provocado pelo próprio homem desde o surgimento das fábricas e indústrias. Pra que se importar com alguns quilômetros de floresta? Aves, peixes, animais? Pra que salvar as baleias ou não fazer uma queimada aqui ou ali? Hoje, o que importa mesmo é “extinguir, ganhar e consumir”, lema da maioria da civilização do século XXI. Pois bem, o Brasil atualmente é abençoado por possuir as florestas mais belas, os rios mais limpos e aqüíferos mais majestosos. Também é um dos maiores produtores de alimentos agrícolas de todo o planeta. Se o novo código florestal for aprovado, as pequenas áreas de proteção ambiental “permanentes”, que são extremamente importantes para o ecossistema, serão extintas. São essas áreas de proteção que nos garantem água, proteção do solo a manutenção da biodiversidade. Também está contido no novo código que antigos desmatadores, bandidos e ladrões de madeira fiquem livres, pois serão anistiados pela própria lei. O que os impede de recomeçar a destruição? E mais, está previsto também que as pequenas propriedades rurais não precisariam mais replantar e proteger as “reservas legais”, pequenas aglomerações de florestas que, como as áreas de conservação permanente, ajudam a equilibrar o meio ambiente e proteger animais e rios. Uma das maiores líderes sócio-ambientais da História, Marina Silva, disse em uma entrevista: “Essa proposta é um terrível retrocesso na legislação ambiental brasileira”. E é justamente isso que Marina tem feito da sua vida. Uma luta constante por um futuro melhor. Primeiramente, milhares de ambientalistas, cientistas, biólogos, políticos, jovens leitores, jornalistas, o próprio instituto Greenpeace e professores universitários da área de biológicas da USP, UNESP e PUCs, já demonstraram um profundo desafeto e criticaram fortemente o novo projeto de reformular o Código Florestal. Será que os senadores serão tão imorais ao ponto de bater de frente com a própria população, acadêmicos e institutos?

Um encontro histórico entre dez ex-ministros do Meio Ambiente ocorreu em maio deste ano. Uma carta aberta redigida pelos dez indivíduos foi entregue a chefe de Estado Dilma Rousseff. A própria também não estava e ainda não está nada satisfeita com a nova proposta apresentada por Aldo Rebelo. Todos os ex-ministros consideraram o novo código como algo “perverso” e todos concordam que isso significa um retrocesso na política ambiental brasileira, que foi "pioneira" na criação de leis de conservação e proteção de recursos naturais. Tanto o governo quanto os ambientalistas prometem uma “revanche” contra o senado para tentar de uma vez por todas mudar essa situação.

Por certo, NÓS, meros civis, ainda estamos aqui para reverter tal situação. É ignorante quem pensa que eu e mais todos os que são contra o novo Código Florestal são contra o avanço da agricultura. Nunca! Desde a revolução agrícola no início da antiguidade até o século atual, a agricultura tem sustentado e evoluído junto com a humanidade. Um sistema social de extrema importância para a sobrevivência da nossa espécie. É claro, assim como as florestas, a água, o solo e o oxigênio. O ser humano precisa de equilíbrio. Devastar florestas e anistiar desmatadores não resolverá o nosso problema. Um problema que vem desde a revolução industrial até os governos gananciosos da Nova Ordem Mundial. Creio que a frase do escritor e filósofo francês Victor Hugo se encaixa perfeitamente nessa caótica questão: “É tão triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve.”

Luis Felipe Machado de Genaro